A polémica envolvendo as duas corporações de bombeiros da cidade de Santarém - Sapadores e Voluntários - voltou a dominar o período antes da ordem do dia da mais recente reunião do executivo municipal, realizada na tarde de segunda-feira, 9 de janeiro.
O assunto foi levantado pelo vereador do Chega, Pedro Frazão, que abordou a questão dos 15 mil euros em subsídios atribuídos pela União de Freguesias da Cidade de Santarém aos Bombeiros Voluntários de Santarém, e questionou o executivo se tinha conhecimento da atribuição desta verba e se a mesma não seria uma duplicação de apoios, uma vez que a autarquia já subvenciona a corporação.
"Tem de haver coordenação dos fundos atribuídos", disse Pedro Frazão, questionando depois os vereadores do PS se concordavam com esta atribuição, feita pelo executivo da junta, liderado por Diamantino Duarte, que é também presidente dos Bombeiros e da concelhia do PS.
Os ânimos azedaram mesmo quando Pedro Frazão referiu que Diamantino Duarte tinha deixado avultadas dívidas na Junta de Freguesia de Tremês e na empresa intermunicipal Resitejo, sugerindo que o mesmo poderia acontecer agora na junta da cidade, o que levou o vereador Manuel Afonso a reagir com frontalidade.
Apelidando Pedro Frazão de "páraquedista" que não conhece o concelho, Manuel Afonso exigiu respeito por Diamantino Duarte, recordando as melhorias na corporação desde que este é presidente da associação humanitária, nomeadamente com a construção do atual quartel.
"Quando se tenta chafurdar o nome de pessoas sem olhar ao que fizeram, é uma falta de respeito", disse Manuel Afonso, referindo que "é muito orgulho" que é associado dos bombeiros voluntários há mais de 40 anos.
"Cale-se. Ponha-se em sentido quando fala comigo!", disse mesmo Manual Afonso quando Pedro Frazão o tentou interromper.
Em resposta ao vereador do Chega, o presidente da Câmara de Santarém, Ricardo Gonçalves (PSD) respondeu que "as juntas de freguesia são autónomas", pelo que não tem de comentar os apoios dados por estas entidades.
Em 2022, a Câmara Municipal de Santarém gastou mais de meio milhão de euros em apoios às três associações humanitárias de bombeiros do concelho - Alcanede, Pernes e Santarém.
Os números foram revelados esta segunda-feira, na reunião do executivo municipal, pelo presidente da autarquia. Ricardo Gonçalves explicou que o município atribuiu cerca de 163 mil euros à corporação de Alcanede, cerca de 178 mil a Pernes e cerca de 170 mil aos Voluntários de Santarém.